Um sonho de ambientalista

Estive em férias em Jericoacoara em maio e desde então estou para escrever sobre essa viagem, mas não sabia o que exatamente, falar das belezas naturais do lugar seria discorrer pelo óbvio, então fiquei esperando a idéia amadurecer mais.

Além da beleza do lugar o que mais me impressionou foi a total falta de estrutura do dito Parque Nacional de Jericoacoara. Pra começar que pouco é falado disso para os visitantes, se você não se informa ou se preocupa, pouco ou quase nada é falado.

Pra começar, segundo a legislação um Parque Nacional é de posse e domínio público, sendo as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas (Art. 11 §1o da Lei 9.985/00). Ou seja, ninguém teoricamente deveria morar lá, muito menos ter hotéis, pousadas, restaurantes. Mas tem tudo isso, claro. Mas como o decreto de criação do Parque é de 1984 e a legislação de Unidades de Conservação é de 2000, acontecem essas coisas inexplicáveis.

Infelizmente essa é uma realidade brasileira. Mas a legislação permite outras classificações menos restritivas para áreas como essas. É preciso reclassificar esse local para que as coisas sejam um pouco mais próximas do real.

Mas o objetivo desse post é relatar a minha idéia de ONG (ou seja lá o nome que quiserem dar) para a conscientização ambiental, não apenas dos visitantes do Parque, como para os moradores que são os principais interessados para a preservação.

Para quem não sabe, chegar até a Vila de Jericoacoara requer um certo esforço. De Fortaleza até Jijoca são 3 horas de ônibus, em Jijoca onde seria a porta de entrada do Parque você pega uma jardineira, um veículo com tração nas 4 rodas, e anda por mais 1 hora até a Vila de Jericoacora.

Ai entram meus planos… Seria ideal em Jijoca ter uma sala de aula para todos que chegam lá para visitar Jericoacoara, explicar para os visitantes que eles estão num Parque e que várias regras devem ser obedecidas, tentar colocar para as pessoas a importância da preservação daquele local e os impactos que elas causam por estarem ali e também deixar bem claro que elas não estão num resort e sim num local de preservação ambiental.

Lá hoje não vi nada se aproximar disso, o máximo que vi foi um bilhete no banheiro do quarto do hotel lembrando que estávamos num parque e que eles prezavam pela economia de recursos e portanto só trocariam as toalhas caso os hóspedes as deixassem no chão.

Outra coisa que eu percebi foi o próprio “descaso” dos bugueiros, ou seriam mal informados? Na praia do Preá existe um caminho delimitado pelo IBAMA para ser utilizado pelos veículos, mas nenhum ou quase nenhum motorista respeita isso, eles acham bobagem, claro, acham mais legal levar o pessoal próximo ao mar do que tão distante da água.

Por causa disso a minha idéia de conscientização ambiental começa pelos moradores de lá, eles devem dar o exemplo e ensinar os visitantes que aquilo não é o quintal da casa deles e eles podem fazer o que quiserem que depois vem alguém limpando atrás.

A “salinha” de aula que eu imaginei não seria nada burocrático e protocolar com alguém chato e sempre sem graça dizendo: não façam isso, não façam aquilo, respeite o meio ambiente e ponto. Ou aqueles videozinhos institucionais mega chatos e comerciais. Não! Deveria ser algo bem interativo, com pessoas jovens, com métodos novos e revolucionários pra mostrar a importância de se preservar não só aquele lugar, mas a natureza como um todo.

E como faria isso? Voluntários… Mais uma vez, onde arranjar esse voluntários? Será que não teria por ai alguns estudantes de publicidade, comunicação social, licenciaturas em geral, engenharia ambiental, biologia, geografia, geologia, etc que em troca de esatadia em Jericoacoara não desenvolveria umas palestras diferentes e inovadoras para esse público com esse tema? Sim, a ONG forneceria morada para esses voluntários, por que esse negócio de pagar pra ser voluntário só deve funcionar pra europeu, aqui no Brasil a realidade é outra. A idéia é fornecer casa e comida pra esses voluntários e eles fornecerem sua mão de obra para desenvolver projetos de educação ambiental de todos os tipos, não só na sala de aula que seria a porta de entrada para o Parque mas também dentro do Parque, dos hotéis e na Vila como um todo.

É, eu sei que é utopia, mas se alguém conhecer algum interessado em investir na idéia, estou a disposição. E se você quiser “roubar” a idéia também pode, eu não ligo, se você conseguir fazer isso funcionar, me avise já vou ficar bem contente.

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6 comentários em “Um sonho de ambientalista

  1. adoreii seu blog, ainda não li nem metade, mas acho o assunto mtíssimo interessante. Aqui na empresa é o “assunto” do momento e em todas nossas empresas associadas tbm.. vou dar uma lida nos seus texto e vou ver se abro um espaço no nosso site para alguns artigos seus, o que acha? bjss

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  2. Essa idéia da sala de aula/multimídia é bacana. Estive lá em Jeri em 2006, e li num guia de viagem que o Ibama já tinha conseguido diversos avanços, como educar os moradores a não criar porcos nas ruas. Esse trabalho com os moradores é essencial, mas basta se informar um pouco sobre a atuação da prefeitura local para entender por que a coisa ainda está como está.

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  3. Estou indo morar em Jeri para tentar amenizar os mesmos problemas que você citou! Me identifiquei muito com o texto, até algumas idéias bateram! E o seu projeto sobre a ONG em Jeri como esta? Parabéns pela carreira e sucesso! Fique com Deus!

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