Tudo que a Amazônia me ensinou com uma visita

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…

Arnaldo Antunes/ Marcelo Fromer/ Sérgio Britto

Confesso que só depois dessa viagem para a Floresta Amazônica eu pude entender de verdade o significado dessa música. Sim, é uma vergonha, de verdade eu achava que internet era um luxo que não era urgente para comunidades tão carentes de outras prioridades, que era muito mais importante levar saúde, comida, saneamento básico e educação básica para essas pessoas do que computadores, celulares ou qualquer outro apetrecho tecnológico e me vi completamente equivocada depois de conhecer Belterra, Suruacá e o Projeto Saúde e Alegria.

Outro dia lendo meu blog favorito sobre a África (tá é o único que eu leio sobre o continente), o autor contava da dificuldade de conexão que alguns países africanos, e uma pessoa comentava que velocidade de internet não era e não deveria ser prioridade pra eles, que importante mesmo era energia, saneamento básico e comida. Fiquei com o assunto na cabeça refletindo sobre isso e essa viagem ao Pará me fez ter certeza que energia, saneamento básico e comida são importantes sim, mas como diz a música a gente não quer só comida, a gente quer internet, celular e conexão boa.

E por que conexão é tão importante para eles? Simplesmente porque é o contato que eles podem ter com o mundo e as vezes o mundo nem precisa assim ser tão vasto e infinito, pode ser a comunidade mais próxima que você demoraria um dia inteiro para chegar de barco.

No Passeio de barco que fiz até o barco-hospital e depois à comunidade ribeirinha de Suruacá a Vivo levou a Mônica de Almeida (@monicabelterra), monitora do telecentro de Belterra, que além do seu blog pessoal – Blog da Mônica, ainda colabora no blog da cidade – Belterra e no blog coletivo da comunidade, o Fuxico de Belterra. É interessante como surgiram esses blogs sobre a cidade, o blog “oficial” faz parte da Rede Mocoronga de Comunicações, um braço do Projeto Saúde Alegria (que será assunto de um outro post), esse blog conta com a participação de toda a comunidade, qualquer pessoa da cidade que quiser pode contribuir, mas como o objetivo dele é principalmente educativo algumas coisas simplesmente não cabiam, ai criaram o Fuxico de Belterra que é bem mais livre, você pode encontrar desde assuntos sérios até as fofocas e as últimas baladas da cidade. Alguns posts desse blog também são selecionados para sair no Blog da Cidade.

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Mônica twitando do barco no Rio Tapajós.

Não vou discorrer sobre a importância de conexão em rede aqui, nem teria propriedade para isso, mas para comunidades que não tinham nem sinal de telefone agora terem opção de conexão banda larga é um avanço inigualável. Puro preconceito meu achar que eles não precisavam disso agora.

4 comentários em “Tudo que a Amazônia me ensinou com uma visita

  1. É Clau, realmente internet virou necessidade básica pra muita gente! Eu já falo isso a um bom tempo, mas todo mundo acha que eu sou mais uma viciada em tecnologia e internet (..não que eu não seja… heheh), mas hoje em dia não estar conectado com o mundo (mesmo que seja ali, com a cidade vizinha – UM DIA DE BARCO pra chegar logo ali, UoW!!) faz uma grande diferença na vida das pessoas. É bom ver as pessoas concordando com isso e é melhor ainda saber que esses itens, antes considerados artigos de luxo por muitos, estão chegando em lugares de difícil acesso e estão sendo muito bem usados!
    (Só pra constar, você realmente estava em “Far Far Far Away” dessa vez…)
    =D

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  2. É assim em muitas cidades aqui do Pará. Eu moro na capital e do outro lado da Baía do Guajará, temos ribeirinhos que mal tem acesso aos serviços básicos, como por exemplo eletricidade.
    Ótimo post, as pessoas de outros estados, ou até mesmo daqui, não tem noção de como a comunicação já virou item básico, servindo para a integração.
    Abs.

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